Conhecer as Filipinas era um sonho antigo. Quando fiz minha volta ao mundo, conheci pessoas em vários destinos da Ásia e todas diziam a mesma coisa: “você precisa ir para as Filipinas.”
Aquilo ficou na minha cabeça por anos. Mas nunca dava certo. É longe (muito longe) e os voos com companhias aéreas melhores quase nunca entram em promoção como os de Bangkok. Enfim, muitos entraves que acabaram adiando essa viagem por quase 15 anos.
Até que, finalmente, parecia que a passagem estava lá, me esperando.
A ideia inicial da viagem era participar do Festival das Lanternas em Chiang Mai, na Tailândia, e depois seguir para as Filipinas. O voo da Qatar Airways tinha baixado de preço, mas na hora de emitir deu erro. Fiquei indignada (óbvio), mas continuei monitorando.
Pouco tempo depois, recebi um alerta de preço de um voo da Ethiopian Airlines, companhia que eu já tinha usado para ir à Grécia. Foi quando tive o clique: e se eu invertesse a rota? Entrasse por Manila e saísse por Bangkok?
A passagem estava lá. Bem mais barata do que a Qatar. Cada escolha, uma renúncia e, a partir daí, começou minha viagem para as Filipinas.
Abaixo, te conto tudo o que você realmente precisa saber antes de ir, sem romantizar.
Filipinas: guia completo antes de viajar
Se você, assim como eu, tem preguiça de vídeos longos que enrolam, pedem like, inscrição e só depois de 15 minutos entregam alguma informação útil, esse post é para você.
Passei perrengue para você não passar. Aqui vão dicas práticas, reais e atualizadas para sua viagem para as Filipinas dar certo.

Voo do Brasil para as Filipinas
Não existem voos diretos do Brasil para as Filipinas. Você obrigatoriamente fará ao menos uma conexão.
De forma bem honesta: vai muito do orçamento, mas recomendo fortemente voar com:
– Qatar Airways;
– Emirates;
– Turkish Airlines.
Se possível, faça um stopover para quebrar a viagem e não chegar completamente esgotado.

👉 Eu fiz isso? Não. E me arrependi.
Optei pela passagem mais barata, com conexão na Etiópia, e não recomendo. Abaixo explico o motivo.
Como é voar com a Ethiopian Airlines para as Filipinas
Trecho Brasil → Etiópia (Guarulhos – Adis Abeba)
– Cerca de 12 horas de voo;
– Aviões mais antigos;
– Sem controle individual de ar;
– Entretenimento ruim;
– Não entregaram kit de amenidades (tive que pedir);
– Configuração 3x3x3 (desconfortável).
A comida foi razoável, mas os comissários não foram simpáticos.
👉 Se encontrar passagem um pouco mais cara com Qatar, Emirates ou Turkish, vale muito mais a pena.
Trecho Etiópia → Filipinas (via Hong Kong)
– Avião mais moderno;
– Voo cheio;
– Duas refeições + café da manhã;
– Comida pior do que no trecho Brasil – Etiópia;
– Cerca de 10 horas até Hong Kong;
– Escala em Hong Kong de 1 hora e meia (não sai do avião);
– Mais 2 horas até Manila.
⏱️ Tempo total de viagem: 29 horas até Manila.
Cheguei no fim do dia seguinte ao embarque no Brasil porque o voo saiu de madrugada.
📍 Dica importante: se seu foco nas Filipinas é apenas visitar as ilhas, reserve um hotel perto do aeroporto em Manila para descansar antes de seguir viagem. Eu fiquei no Savoy Hotel Manila (RESERVE AQUI) que fica perto do terminal 3. Tive que pegar um Grab porque desci no terminal 1.

Brasileiros precisam de visto para viajar para as Filipinas?
Não. Brasileiros não precisam de visto para turismo por até 59 dias.
Mas atenção:
– Passaporte válido por no mínimo 6 meses;
– Certificado internacional da vacina da febre amarela;
– Preenchimento do e-Travel (formulário eletrônico obrigatório);
👉 Faça o e-Travel antes da viagem para evitar filas na imigração.
Aeroporto de Manila: atenção às conexões
O aeroporto de Manila tem 4 terminais que não são interligados.
– Terminais internacionais: modernos e com casa de câmbio.
– Terminal doméstico: antigo, com pouca estrutura e não tem casa de câmbio.
⚠️ Se for fazer conexão no mesmo dia, reserve no mínimo 4 horas entre os voos. Considere trânsito entre os terminais. Lembra que eu disse que não eram interligados?
O transporte entre terminais pode ser feito de ônibus gratuito do aeroporto (demorado); Grab (Uber da Ásia) ou táxi.
Câmbio nas Filipinas: moeda, dinheiro e cartão
A moeda oficial é o peso filipino (PHP).
Quando fui (novembro/2025): 1 USD ≈ 58 pesos filipinos
Dicas importantes:
– Pouquíssimos lugares aceitam cartão.
– Quando aceitam, cobram taxa de até 4%.
– Saques são caros (taxa local + taxa do cartão).
👉 Melhor opção: levar dólar em espécie e trocar tudo no aeroporto de Manila, onde o câmbio é surpreendentemente bom.
💳 Para não carregar muito dinheiro em espécie, o que eu fiz foi antecipar o pagamento de tudo que consegui pelo Wise (passeios, hotéis, passagens aéreas, etc. ).
Como montar um roteiro pelas Filipinas
São mais de 7.000 ilhas e isso já torna o roteiro desafiador.
Minhas dicas:
– Prefira voar entre as ilhas;
– Escolha destinos com voos diretos entre si (evitando escalas desnecessárias em Manila ou Cebu).
✈️ Compre os voos internos com antecedência para pagar menos. Eu tive problemas para comprar nos sites das cias filipinas. Tive que usar VPN, conectar em um país europeu para conseguir fazer as compras. Voei com a Cebu Pacific. Outra coisa: eles são bem chatos com o peso da mala de mão, então já recomendo comprar a tarifa que permite mala despachada.
Melhor época para viajar para as Filipinas
Esse é o ponto mais importante do planejamento.
Muita gente diz que a época seca vai de novembro a abril. Não confie cegamente nisso.
A saber, em 2025, houve: tufão em novembro e chuvas fortes em dezembro.
Conversei com vários moradores locais em Corón e El Nido e todos disseram a mesma coisa: que os melhores meses para viajar para lá são fevereiro e março.
👉 Se você quiser evitar perrengue, vá nesses meses.

Meu roteiro pelas Filipinas: Corón e El Nido
Meu foco era 100% praias paradisíacas, então escolhi apenas Corón e El Nido.
A ideia inicial era fazer a famosa expedição de 3 dias entre as ilhas, mas um tufão cancelou os planos.
Passeios de barco nas Filipinas: tours A, B, C e D (como funcionam)
Em destinos como Corón e El Nido, os passeios de barco são organizados por letras:
Tour A, Tour B, Tour C e Tour D e ainda tem o Super Ultimate Tour que combina atrações de mais de uma letra no mesmo tour.
Na prática, há os tours favoritos com os “cartões postais” das ilhas e que você realmente deve priorizar e depois os tours com outras atrações nem tão populares (e que não deixam de ser bonitas).
O que eu senti é que depois de alguns passeios, vira o tal “same, same but different” (frase comum na Tailândia: “igual, mas diferente”. Então, não sofra tanto se não conseguir fazer todos os passeios.

Corón: vale a pena?
Vou ser bem honesta: não gostei de Corón como cidade. Não é uma cidade charmosa, tem uma estrutura turística fraca e você depende totalmente dos passeios do barco. E com tantas adversidades climáticas, vira e mexe os passeios são cancelados.
Passeios em Corón
São passeios de barco e você pode escolher entre passeios coletivos ou privados (contrata o barco apenas para o seu grupo).
Passeios coletivos: entre 1.500 a 2.000 PHP (mas dá para negociar o valor) e incluem transporte, entradas, almoço e bebidas. São bem organizados e valem a pena.
Passeios privativos: preços tabelados por distância e quantidade de pessoas no barco, porém ficam bem mais caros por conta das entradas e refeições.
⚠️ Cuidado com indicações de influencers do Instagram. Caí nessa e me arrependi. Geralmente eles fecham permutas (não pagam o passeio em troca de publicidade) e indicam barqueiros não tão bons.
👉 Se for contratar passeios, veja opções bem avaliadas no Get Your Guide, que costuma ser mais organizado e transparente.

Ferry de Corón para El Nido: não recomendo
Eu tive que utilizar o ferry visto que cancelei a expedição entre as ilhas. Diria para evitar o ferry (se possível). Além de ser caro, demorado, achei bem sujinho (vi até barata). Sem contar que é super gelado por conta do ar-condicionado no talo.
👉 Minha dica: voe de Corón para El Nido.
El Nido: vale a pena?
Não é o vilarejo charmoso que muita gente vende, mas tem muito mais estrutura que Corón. Tem mais restaurantes, bares e lojinhas. É uma base muito melhor para explorar a região.
👉 Se tiver que escolher uma base, fique em El Nido.

Tufão nas Filipinas: meu maior erro
Peguei dois tufões em 11 dias. Resultado: só consegui aproveitar 5 dias de viagem.
🔴 Erro que você não deve cometer: viajar fora da melhor época.
👉 Vá em fevereiro ou março.
👉 Entre por Corón e saia por El Nido. Ou fique só em El Nido e Boracay.

Conclusão: vale a pena viajar para as Filipinas?
Sim, vale muito a pena. O país é lindíssimo. Certamente um dos mais bonitos com destinos praianos. O povo é super simpático e é um país barato. Mas, viaje do jeito certo.
Encontrou aquela passagem super barata? Verifique se é em um mês sem tufões.
Escolha bem as ilhas e evite perrengues desnecessários e perda de tempo entre deslocamentos.
Reserve os hotéis com antecedência para garantir as melhores opções. Dê preferência para tarifas com cancelamento grátis.
Viaje com seguro: mesmo não sendo obrigatório, viajar sem seguro é assumir um risco desnecessário. As Filipinas são um país com culinária bem diferente da nossa, há uso frequente de água não potável (inclusive gelo) o que resulta em problemas estomacais. Isso sem contar a chance de se machucar descendo do barco, pisando em pedras no mar, etc. Faça a sua cotação sem compromisso.
