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A vida em Londres – parte I

por Fernanda

Atualizado em 23 de dezembro de 2017

Quando um homem se cansa de Londres, ele se cansa da vida, porque há em Londres tudo que a vida pode oferecer.

Samuel Johnson

O sábio Samuel conseguiu resumir em apenas uma frase o que é Londres. Sei que muita gente não concorda, aliás, já escutei várias pessoas falando que Londres é superestimada. Bom, devo dizer que se tem uma cidade que para mim é superestimada, essa cidade é Nova York. Fui, conheci, não gostei e não tenho muita vontade de voltar. Já, Londres será para sempre a minha cidade no mundo.

Quem leu esse post, já sabe que apesar de eu amar Londres, ela foi uma madastra para mim. Eu sempre amei Londres, mas infelizmente ela nunca me amou.

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Bom, não é segredo para ninguém que Londres é uma cidade cara. E quando eu cheguei, em 2005, uma mísera libra esterlina valia quase R$6,00. A sorte é que eu ganhava em euros em Portugal e na Itália, o que tornava a situação um pouco melhor. Em 2005, não tinha crise, então tinha bastante oferta de empregos.

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Só que uma coisa que muita gente não entende é que se tinha empregos, tinha muita gente para trabalhar também. Como a libra sempre foi mais valorizada que o euro, a cidade sempre recebeu muitos imigrantes da União Europeia. Para quem não sabe, o Reino Unido faz parte da UE, mas não adotou o euro como moeda oficial.

Junte a isso o fato do inglês ser a língua oficial e pronto! Todo mundo quer seu lugar ao sol (ou seria chuva?) em Londres. A triste verdade é que poucos irão conseguir esse lugar.

O meu grande erro foi ter confiado demais no inglês que eu tinha aprendido no Brasil e que não era bom. Tipo, eu entendia, eu lia, eu escrevia, mas falar…ah! Que vergonha que eu tinha do meu sotaque e de várias palavras que eu pronunciava de maneira errada.

Eu sei que tenho muitos defeitos, mas é inegável que minha maior qualidade é a determinação. E eu coloquei na cabeça que estava apta a competir de igual para igual com os europeus. Minha área era marketing e como eu tinha grandes multinacionais no CV até que eu conseguia umas entrevistas. Só que lógico que eu nunca recebia retorno por causa do meu inglês (bom, na verdade a falta de experiência de trabalho na Inglaterra também atrapalhava), mas o ponto é que não dava para esperar tanto tempo para arranjar um emprego.

Aí eu parti para o plano B que era trabalhar como garçonete/bartender. Lembro que eu morava num bairro muçulmano e indiano e todo dia ía em uma lan house procurar vagas (eu não tinha laptop muito menos wi-fi em casa). Aí imprimia uns 20 CVs por dia e saía distribuindo.

Tentei Starbucks e não rolou. Depois eu fui chamada para uma entrevista no Pret a Manger (uma rede de cafés). Era pertinho da minha casa, então eu já saí torcendo para dar certo. E parece que era meu dia de sorte. Cheguei, fiz a entrevista e me mandaram voltar no dia seguinte para fazer um “dia-treino”.

No dia seguinte, lá estava eu pronta para cortar legumes e preparar sanduíches. O dia foi tranquilo, eu achava que o pessoal tinha gostado de mim, mas no fim do dia veio a bomba. O pessoal tinha decidido que eu não era boa o suficiente para ficar. Olha, mas eu fiquei com tanta raiva, mas tanta raiva que saí chorando na Oxfort St e fui chorando de lá até a minha casa. Uma meia-hora a pé.

No meio do caminho eu ainda liguei para a minha prima (sim, ela estava morando lá também) e desabafei. E ela falou que tudo ía dar certo e que isso era Londres.

Sei que eu tive que partir para o plano C, que era basicamente trabalhar com eventos. Era o que todos os brasileiros que eu conhecia faziam. O tal do function. Tudo muito incerto. Tinha semanas que você tinha trabalho todos os dias e tinha semanas que você não tinha nada.

Mas dessa vez eu parecia estar com sorte mesmo. Fui escalada para trabalhar num evento de réveillon. Eles pagariam mais que a média e eu só precisaria vender as bebidas. Topei porque precisava do dinheiro e porque pensei que aquele seria apenas meu primeiro réveillon em Londres e eu teria tempo de sobra para ver as queimas de fogos na Tower Bridge.

Tower Bridge

Doce ilusão! O evento foi um fracasso, terminaram a festa antes do previsto (leia – faltando menos de meia-hora para a virada), pagaram menos do que o prometido (porque foram menos horas trabalhadas) e para resumir uma história triste – o réveillon de 2005 para 2006 eu passei dentro do metrô. Sorte que eu estava com a minha amiga  Andressa*(que sim, também estava trabalhando na festa e morando em Londres), mas só de lembrar eu tenho vontade de chorar. Eu nunca mais tive a chance de passar um réveillon em Londres.

(a saga é longa e eu não tenho o poder da síntese, então continua em outro post)

Não perca tempo nas filas de Londres. Compre antecipadamente os ingressos.

 
23 comentários
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23 comentários

Rick 4 de setembro de 2013 - 16:40

Uow, um pouco parecido do que o que passei em Dublin. Achei que meu inglês CNA 5 anos eu podia competir de igual pra igual com qualquer europeu (tb tenho cidadania)..consegui entrvistas, mas nada na area (publicidade).

Apelei pro plano B e entrei num café..numa durei 1 mes..

Graças a Deus, consegui um empreho na area, como europeu em uma outra cidade da Irlanda…hj to aqui e to MUITO feliz…mas Dublin mesmo nao rolou.

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Fernanda 4 de setembro de 2013 - 16:48

Que bom que deu certo para você.
Sei que se um dia eu tiver um filho, ele vai é para Londres aprender inglês. rs

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Marcello 4 de setembro de 2013 - 17:31

adoro suas historias. por ter morado em Londres em 2010 me vejo em muitas destas situações. tbm amo muito esse lugar.

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Fernanda 4 de setembro de 2013 - 18:40

fico até meio revoltada quando escuto as pessoas dizerem que não gostam de Londres. Sempre me pergunto – como? Aí lembro que também não curti NY. Ou seja, tem louco para tudo.

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Ana Six 4 de setembro de 2013 - 18:07

Ebaaa chegou Londres! Então, vc ainda pode se programar e passar um ano novo lá. Se a crise acabar, pode até morar lá, por que não?
bjs
ps: to adorando isso aqui

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Fernanda 4 de setembro de 2013 - 18:40

é verdade! Um dia quem sabe eu passe um réveillon lá e espero que a crise acabe antes de eu ficar velhinha. rs

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Ivan Taptrip 5 de setembro de 2013 - 04:28

Muito bom post, Fernanda! Lembrou meus primeiros dias no Japao. Pensava que ter feito um ano e meio de curso + os demais anos que estudei por conta propria fossem ser suficientes…mas, acabei apanhando do idioma, sobretudo na hora de tirar residencia, abrir conta no banco, etc.

Parabens pelo blog! Super legal! 😀

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Fernanda 5 de setembro de 2013 - 08:44

Essa barreira do idioma é complicada. E a gente sempre acha que é bom o suficiente em outra língua. rs

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Ivan Taptrip 5 de setembro de 2013 - 08:46

Pois, eh. No Brasil tirava onda. Quando cheguei aqui, a onda me jogou pra areia, rs.

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Fernanda 5 de setembro de 2013 - 08:51

hahaha. Sei bem como é!

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Suelen 5 de setembro de 2013 - 10:04

Ai… quantos perrengues a gente passa lá fora, neh? Nem gosto de lembrar!
Fico no aguardo pela parte II!

Bjus!

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Adenilso 5 de setembro de 2013 - 15:55

Eu tb fiz o experience day do pret a manger e me dispensaram.
Isso sem falar que eu tinha acordado umas 4hrs da manha.
ce la vie .hehehehehe. Voltei por outros motivos. Londres e bem bacana mas pode ser um pouco perigosa.
Sem duvida uma mega cidade.

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Fernanda 5 de setembro de 2013 - 15:59

queria saber de verdade o que eles levam em consideração naquele experience day. Pior que peguei tanta raiva do Pret que passei a nem frequentar mais. E é gostoso. haha

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Adenilso 6 de setembro de 2013 - 15:00

Que legal vc ter respondido. Eu acho que e mais o entrosamento com o pessoal. Eu nao me identifiquei muito com o serviço mas estava precisando de trabalho entao fiquei bem chateado por nao ter conseguido. Mas assim continuei comendo o croissant recheado de la e muito bom.
To doido pra viajar de novo, dei uma parada pra estudar, eu fico feliz quando estou dentro de um avião indo pra um lugar novo. Vc conhece o Uruguai?

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Fernanda 9 de setembro de 2013 - 20:41

Eu acho tudo ótimo lá. O café, por exemplo é bem melhor que Starbucks e mais barato. Eu também precisava do trabalho, mas não rolou. Fazer o que?

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Mineiro 6 de setembro de 2013 - 16:13

Eu curti muito Londres e pretendo visitar várias vezes mas pra morar lá nem pelo dobro do que ganho aqui. Lá falta SOL.

Não dá pra ser feliz com 3 semanas de sol por ano

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Fernanda 9 de setembro de 2013 - 20:40

Curitiba falta sol também, então OK para esse problema. hahaha

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Dayla 9 de setembro de 2013 - 14:17

Oi amei o blog, ja li tds os potes e fala de London. Ja morei la , ate minha filha nasceu la, e agora morro de saudades quero mt voltar mas meu marido nao quer… Sei que Londres tem muito mais a nos oferecer , agora estou na batalha de convencer ele a voltar.

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Fernanda 9 de setembro de 2013 - 20:36

Eu sei como é…

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Fernando 12 de setembro de 2013 - 20:16

Muito legal seu relato. Eu tb curto muito Londres, mas nunca morei lá. Fui uma vez e vou de novo este. Curiosamente, tb estou relatando minha experiência na cidade, numa série de 3-4 posts. Não sei se morarei um dia lá. Quem sabe.

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Fernanda 12 de setembro de 2013 - 21:19

Legal! Depois vou dar uma olhada nos posts.

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Ana Claudia Sachser 17 de setembro de 2013 - 14:48

Tinha sumido um poquinho mas estou colocando a leitura em dia ahuahauhauah
Me lembrei MT dos dias em Dublin!
Nem tentei na area de formacao (Design) pois nao achava mesmo que iria conseguir competir com os europeus e tbm pq nao era o q eu queria fazer mais (sai do Brasil pra pensar o q fazer rs)
Entao tentei o que muitos de nos tentam: cafe!!!
Consegui, dentro de uma loja enorme de departamento, e no comeco tinha a mesma sensacao: ceus nao sei falar nd do ingles q eu achava q sabia ahuahauha Inclusive sofri umas 3 situacoes de preconceitos, sempre com pessoas mais velhas…
Mas no final das contas deu td certo! Trabalhei la durante o ano q fiquei e foi MT bacana =D
By the way, Londres, Edimburgo, e Dublin <3 Paixoes da minha vida!
bjss

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Fernanda 17 de setembro de 2013 - 21:24

Nem me fala em Edimburgo. S2!

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